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Redenção

Há uma espécie de vida antes e depois das corridas (que daqui em diante tratarei sempre por AC e DC).

AC posso resumir como sendo o mundo dos hidratos de carbono, de fast food, dos refrigerantes e do sedentarismo – como se das Trevas se tratasse. Claro, por oposição, DC pode entender-se como a oportunidade que a vida nos dá, de redenção. Sim, é mais ou menos a sensação que se tem.  Redimir o corpo por todos os estragos e excessos causados durante a nossa existência.

Ainda que não fosse de ceder os meus instintos primitivos de atacar hamburgueres e pizzas, a verdade é que não fazia qualquer cuidado com a alimentação, fosse a que refeição fosse.

Tinha fome, precisava comer.

Comer lasanha, massas ou carnes vermelhas, ao almoço ou ao jantar, era a mesma coisa. Não há sentimento de culpa nesta fase da vida.

Sem saber exactamente qual é o momento, começo a ficar desperta para a comida que coloco no prato. Repenso no que como, e o que é que o meu corpo realmente precisa. Queria correr mais e sentir-me bem.Sentir o corpo a reagir a cada Km e a evoluir em cada treino, por isso tinha que melhorar a alimentação.

Entro na minha redenção. Dá-se a odisseia da atleta (mas pouco); DC:

Pesquisas aqui e acolá, ler aqui e ali, trocar ideias com pessoal que já anda “nestas andanças” e numas semanas tornamo-nos uns nutricionistas de trazer por casa (mais uma vez, ter uma irmã já especialista nesta área ajudou).

As idas ao supermercado começam a resumir-se essencialmente a: ovos, salmão, atum, perú, frango, batata doce, aveia, pão de cereais, iogurtes, legumes e frutas infindáveis e depois mais umas quantas coisas que parece que nunca existiram no supermercado. (Tenho a certeza que aqueles corredores escondiam-se quando eu passava. Era impossível passar por ali e nunca ter reparado).

Confesso: nestes dias de ida ao supermercado, em que as verduras se amontoam no frigorífico, quando abro a porta, sinto que estou a entrar na Estufa Fria de Lisboa (por acaso aconselho a visita). Tudo é admirável naquele frigorífico e eu sei, as próximas refeições estão programadas e não há como falhar (ficará para um dia destes um post com algumas das receitas das minhas refeições)

Sabemos o que fazemos para o almoço e jantar, sabemos que não vamos ceder a comer alguma coisa rápida ( se é que me entendem) ou que passamos horas sem comer.

Cuidar da alimentação passou a tornar-se imperativo, e a marmita que me acompanha para o dia, um “Santo Graal”.

Mandamento nº 1 DC:

Jamais deixarás que o teu estilo de vida se torne num fanatismo desenfreado onde só há lugar para Batata Doce e frango.

Também há pizzas e hamburgueres. Quem não precisa do inferno para aquecer a alma?!

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