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Os fracassos e as apostas

Confesso que as idas ao ginásio nunca me fascinaram, como de resto qualquer actividade física AC (recordo – Antes das Corridas). Por um lado achava que já tinha o dia demasiado ocupado para perder tempo com desporto e depois umas caminhadas (uma a duas vezes por mês) deviam ser suficientes para atenuar algum peso na consciência (que recordo-me também não ser assim tão grande).

Não estava sozinha neste pensamento. Bastava-me falar com dois ou três amigos para perceber que era comum… Falta de tempo!

Portanto, mais uma vez a corrida era perfeita. Fazia um desporto que adorava, podia ir no horário que me fosse mais conveniente, não dependia de terceiros e não tinha um compromisso com ninguém, para além de mim. Claro que partilhar treinos com outras pessoas permite-nos superar tempos, às vezes não desistir, e ir além dos Kms que nos haviamos proposto. Nos dias de frio aquecem-nos a alma, e em dias quentes de Verão são importantes para carregar a água que vamos partilhando ao longo do treino. Felizmente, acabei por ter três companheiros que cediam aos meus desafios, outras vezes era eu desafiada por eles.

O filho da sogra também não tinha tempo para se dedicar muito ao desporto (que surpresa…)Jogar futebol 3 vezes por ano e correr comigo mais 2 ou 3 vezes por mês devia ser suficiente.

Tinha esperança, de alguma forma, que se ele fosse mais vezes comigo ia apaixonar-se pela corrida (como eu) e depois não ia precisar de ter desculpas para não ir.

Tentei gerir o tempo dele para que isso não fosse um obstáculo, mas invariávelmente acabava derrotada com um “De manhã não… tenho sono!”;  “À noite não estou cansado, mas no fim-de-semana vou!” “Este fim-de-semana não dá jeito” (arranjei mil coisas de desculpa só para não ter que ir correr). Mas por várias vezes ele foi: Umas vezes sentia que ele ia comigo só para não me deixar ir (mais uma vez) sozinha , outras para não ver a tristeza nos meus olhos de ter sido derrotada (mais uma vez) numa tentativa de o levar comigo e outras eu sentia que ele tinha realmente gostado. Mas a forma como nos envolvemos com a corrida é como uma relação a dois.

Ele não se apaixonou pela corrida e eu não podia insistir mais.

Talvez por sentir que da minha batalha saimos os dois derrotados, há um dia que nos envolvemos numa aposta. Terei sido eu que comecei, para limpar a derrota da corrida, ou terá sido o filho da sogra para limpar o peso na consciência do sedentarismo que se apoderara dele? Em qualquer um dos casos, a aposta estava lançada. Duas ou três testemunhas e um compromisso firmado pelos dois.

Daqui para a frente dedicar-me-ei a esta aposta.

São feitos alguns sacrifícios em função da corrida ou do desporto em geral, que nunca serão compreendidos por quem nunca se apaixonou por estes.

1º passo: Inscrição no ginásio – Feito.

 

 

 

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