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Olivia dos olhos doces

Eu, apaixonada por gatos, me confesso: Tenho a melhor gata do mundo!

Na primeira visita à família de acolhimento temporário, e ao contrário dos irmãos (já todos com famílias disponíveis para os receber), esta estava nem ali para nós. Nem uma tentativa de nos cativar ou afastar definitivamente: Não brincou, não miou, não arranhou, não ronronou, nem sequer assoprou (com aquele ar assanhado de quem tinha tido uma visão do inferno). Parece que o olhar dela dizia “Não têm mais alternativas para além de mim…”

Não saímos dali convencidos de que seria tão calma quanto fazia parecer. E claro…

Gata dissimulada!!!

Primeiras horas na nova casa e era quase tudo dela. Cada conquista de um espaço novo na casa era uma conquista no nosso coração. Tão depressa ronronava, como de seguida mostrava as garras. Afinal, havia mais personalidade naquela gata, do que num gatil inteiro.

Partir acessórios de decoração tornou-se o melhor passatempo para ela. Roubar meias, papeis, aneis e dinheiro a maior aventura. Para nós, tornou-se uma espécie de caça ao tesouro pela casa. De repente sentimo-nos num filme do Indiana Jones, e o sofá passou a ser um verdadeiro baú que poderia estar do outro lado do arco-íris.

Atiro para o ar, com a esperança que um dia me responda, “Olivia, onde está o papel que aqui estava?”

Pergunto-me se ela estará a juntar o necessário para um dia fugir de casa.

Oh claro que não! Eu não vivo sem ela e ela não vive por certo sem nós.

Estes 8 meses permitiram-nos ter (já) uma harmonia quase perfeita.

As vezes não sei se seremos tão bons quanto ela é para nós. As vezes, tenho dúvidas que lhe demos tanta atenção quanto ela nos dá. Mas não dúvido que seja tão amada quanto ela nos ama.

A Olivia!

A Olivia, que podia ser a Amélia dos olhos doces.

 

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